Crença

Marta Morais da Costa

Atrás de uma porta

a lua pode te visitar.

No muro que te separa

um joão-de-barro faz sua casa.

Na paisagem deserta

a flor nasce entre pedras.

Na árvore seca

a cigarra vem cantar.

Por trás da pálpebra

o olho busca a luz.

Assim é esta hora que nos mata:

reserva no átimo de um segundo

as lembranças

e a esperança

de, em alguma forma,

sobreviver.