Bartolomeu Campos Queirós

Palavras que continuam vivas.

“Gostaria de viver numa sociedade em que não fôssemos dirigidos pelos caprichos de alguns, mas num movimento estabelecido pela soma de todos nós. Num mundo pleno de dúvidas, uma vez que para mim a dúvida nos torna mais cuidadosos, mais cautelosos, mais delicados com as relações. Quem supõe ter encontrado a verdade passa a um estado de fanatismo. E isso no exercício do poder é muito perigoso. Meu sofrimento advém de estar e viver numa sociedade tão injusta, em que as diferenças não concorrem para o enriquecimento, mas a diferença é apenas uma maneira de dividir os homens em classes. Sofro por viver em uma comunidade analfabeta, como eu, marcada pela impossibilidade de ler o seu entorno, uma sociedade em que o sofrimento nos impossibilita de participar da poesia existente. Uma vez que as necessidades básicas são mais prementes.”     

(Bartolomeu Campos Queirós. Literatura: leitura de mundo, criação de palavra, 2002).

Riso e pandemia

“A risada é uma manifestação de divertimento, e o divertimento é um estado de espírito socialmente fecundo voltado ao mundo exterior. O riso começa como uma condição coletiva, como quando as crianças riem juntas por causa de alguma bobagem. Na idade adulta, a diversão continua sendo uma das maneiras com que os seres humanos desfrutam da companhia uns dos outros, conciliam as diferenças e aceitam a sorte comum. Rir ajuda a superar o isolamento e nos fortalece perante o desespero.”

(Citação retirada de obra de Roger Scruton)

Amigos:

em tempo de notícias tristes, saber que o riso é uma condição coletiva que nos fortalece e ajuda a ultrapassar dores e temores só nos faz desejar estar logo, logo reunidos em volta de uma mesa, com café quentinho, pinhão na brasa, conversas sem fim e o riso correndo de boca em boca, dizendo de nosso estado de afetuoso reencontro.

em 26 de maio de 2020, 7 graus lá fora, saudades aqui dentro.

Recomeçando

Era uma vez um desejo de não perder o tempo presente.

Era outra vez um desejo de saber lidar com recursos materiais de escrita.

Era sempre uma vontade de não desistir.

Desta vez recomeço em outro blog outra tentativa.

Cansada do anterior? Que nada!

Ele me traiu e saiu com outros pelo espaço digital.

Deixou-me sem lugar-site, deixou-me sem nem dar adeus.

Sumiu como somem seres e coisas em esconderijos e frinchas.

Aprendi a substituir. Sem esquecer as caras e fieis companhias de textos anteriores bissextos.

Inicio novamente. Clamo pela ajuda de Hermes, o deus de pés alados.

Desta vez quem sabe eu não (me ) perca nas esferas.

PS: esta linguagem empolada aí de cima é pra dizer aos amigos que retorno a esta ferramenta de comunicação, com outro design e título.

Mas continuo deleiturando.

Poty Lazarotto em Sagarana, de Guimarães Rosa (prêmio na Bienal Internacional de São Paulo de 1969). Feliz simbiose entre texto e ilustração.