Onde antes…

Onde antes estava o verde, agora predomina a terra seca, quase areia.

Foto por Pok Rie em Pexels.com

Árvores centenárias foram obrigadas a prestar vassalagem às motosserras.

A mata nativa – troncos finos e ramas debruçadas sobre o chão – jaz inerte.

O silêncio sem pássaros e as trilhas sem pisadas nem rastros.

As folhas e galhos perderam seu farfalhar, agora monturos secos e esquálidos.

Cortou-se a comunicação entre as árvores, abriu-se o horizonte em luz e vazio.

Onde antes não havia caminhos, agora são vias sem margens, travadas pelo entulho vegetal.

Por tantos anos, o arvoredo foi repouso dos olhos, umidade contra a secura do asfalto, paisagem de fotos e resguardo de degradação.

Hoje, de surpresa, a descoberta de que em alguns poucos dias, a natureza elaborada em séculos amanheceu destroçada.

O ser humano, rei das espécies, mais uma vez mostrou-se vilão, depredador, criminoso.

Contra ele, a dor da perda, a dor da crueldade alheia, a dor de descobrir-se também humano na desamparada impotência.

Lágrimas corroem a manhã ensolarada, desverdecida.

Marta Morais da Costa

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