Marta Morais da Costa

Saúdo a insônia que me faz, recolhida,
viver o contato deslizante comigo.
O silêncio a sitiar o pensamento
e palavras profusas
a escorrer
para o papel.
Não há relógios, nem barreiras.
Só o imenso conforto das linhas
Submissas à avalanche das letras.
Diálogos interiores,
a abrir os arquivos, libertos,
coração sem flechas, nem temores
confessa, compulsivo, ódios e amores
do dia findo, da vida em extinção,
que aguilhoa o ritmo dos horrores.
Saúdo a chegada do sono
a reabrir o coração nos sonhos
da noite
a dividir
o tempo de viver
e
o tempo de confessar.