Remanso

Marta Morais da Costa

Foto por Mohammed-Ali Hamadache em Pexels.com

Saúdo a insônia que me faz, recolhida,

viver o contato deslizante comigo.

O silêncio a sitiar o pensamento

e palavras profusas

a escorrer

para o papel.

Não há relógios, nem barreiras.

Só o imenso conforto das linhas

Submissas à avalanche das letras.

Diálogos interiores,

a abrir os arquivos, libertos,

coração sem flechas, nem temores

confessa, compulsivo, ódios e amores

do dia findo, da vida em extinção,

que aguilhoa o ritmo dos horrores.

Saúdo a chegada do sono

a reabrir o coração nos sonhos

da noite

a dividir

o tempo de viver

e

o tempo de confessar.