Quereres

Foto por Visually Us em Pexels.com

Marta Morais da Costa

Quero a montanha e a árvore
quero a trilha íngreme
o ar fresco da altura
os pés nas pedras do caminho.
 
Quero a solidão gelada
a invadir nuvens e silêncios
onde a dor não respira
e a mortalha não alcança.
 
Quero cascatas impetuosas
diluindo nos abismos
os assombros o desespero,
o abandono a impotência.
 
Quero no canto dos pássaros
ver acolhido o desvalimento
mais atroz desses dias
sem oxigênio e sem saída.
 
Quero nas alturas ter asas
para fugir em direção ao sol
abandonando ao léu
as penas não consoladas
as lágrimas não extintas
a humanidade dissolvida
em arquejos e isolamentos,
cinicamente desprezados.
 
Quero levar comigo
na dissolvente memória
os dias não vividos
as dores vizinhas
os sacrifícios humanos
a perda dos amores
as esperanças roubadas.
E sepultá-los pelo caminho.
 
Quero deixar na terra
o horror de números
em escalada lúgubre,
hidras com mil cabeças
a uivar tragédias
a buscar o oxigênio
de um futuro que
talvez não chegue.

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