VII

de Manoel de Barros

Foto por Porapak Apichodilok em Pexels.com

No descomeço era o verbo.

Só depois é que veio o delírio do verbo.

O delírio do verbo estava no começo, lá

onde a criança diz: Eu escuto a cor dos

passarinhos.

A criança não sabe que o verbo escutar não

funciona para cor, mas para som.

Então se a criança muda a função de um

verbo, ele delira.

E pois.

Em poesia que é voz de poeta, que é a voz

de fazer nascimentos –

o verbo tem que pegar delírio.

(Manoel de Barros. O Livro das Ignorãças. 1993.p.17)

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